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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Surtos Gravídicos

Uma dia, estava me dirigindo a fila preferencial ostentando uma senhora barriga de 6 meses em um domingo no supermercado cheio (eu fazia questão até quando estava vazio, era meu direito, oras) e dei de cara com 2 jovens e uma periguete com um carrinho cheio na fila preferencial entre um casal com duas crianças e um senhor idoso na fila preferencial. Hummmmmm... Como assim? O supermercado tava cheio, um calor danado e eles, malandros, na fila preferencial que também estava cheia? aff... Pedi ao meu marido que falasse com o segurança pra "avisar" que eles estavam na fila errada, afinal, podia ser um engano. Ledo engano meu. Eles deram de ombros e deixaram o segurança (que tinha cara de bocó, diga-se de passagem) com cara de bocó. Passaram-se alguns minutos e aquele ar de indignação de todos na fila ficou pairando, alguns resmungos aqui e ali e tudo continuou igual. Nossa, eu só pensava: gente, tá errado! Ninguém vai fazer nada? Meu sangue deu uma fervida e quando meu marido percebeu eu tava lá na frente da fila com o dedinho levantado tirando satisfação com os fura-fila. Bláblábla. Problema não resolvido, mas eu e o idoso passamos a frente deles. Eu fiquei lá matutando por que as pessoas não respeitam as "regras" da vida em sociedade e por que todas as outras pessoas que estavam com a mesma sensação não fizeram nada e por que raios eu fiquei tão puta com vontade de voar neles.

Óbvio que precisava justificar meus surtos quando ficava mais calma para entender o que acontecia. Justificava tão bem justificado que acreditava piamente nas teses que bolava. Acredito nessa até hoje: A mulher grávida quer prover um mundo melhor para seu baby e portanto seu tolerômetro para pessoas "eu quero me dar bem e sou sem noção" é gravemente alterado. Agora junta isso com altas doses regulares de hormônios da TPM.

A vontade era banir desse reino, após um bem articulado sermão da montanha, todas as pessoas apressadas que não estavam em sintonia com o conto de fadas que DEVE ser a vida da grávida. Os mal-educados, escrotos e sem noção? Cenas de violência explícita pesadíssimas estilo jogos mortais passavam pela cabeça.

Problemas no trânsito eram pseudoresolvidos com gritos histéricos, xingamentos de gerações e buzinaço. Ai da atendente, vendedora ou caixa de supermercado que não me cumprimentassem sorridentes, quem elas pensam que são? Garçons, então? Eles tinham uma missão importantíssima nesse mundo, uma responsabilidade sem igual: comida. O preço de uma negativa na bagunça que eu sempre fazia misturando os pratos e acompanhamentos do cardápio era muito alto: praga de terçol com proporções de furúnculo!

Mas passou, tá? Juro! Agora sou uma pessoa calma, serena. Outro dia, no restaurante com minha filha de 3 semanas dormindo tranquilamente no carrinho, até sorri para a mãe que não segurou seu filhote hiperativo que meteu o carão no carrinho da minha filha e acordou ela no susto gritando: olha o neném, olha o neném! Grrrrrrrrrr....

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Por onde eu começo?

Enfim, consegui empurrar pra lá a sensação de "Como começo a redação?" que me invadia toda a vez que eu pensava em colocar em prática a minha vontade de escrever um blog.

Desde que entrei num mundo louco: o mundo gravídico, tenho sido uma leitora assídua da blogosfera materna, uma galáxia louca também, que me acalmou e conduziu na loucura hormonal na qual me meti. Loucura mesmo encontrar tanta coisa na exposição da vida alheia. Encontrei apoio, tirei dúvidas, virou fonte de pesquisa, dei risada, chorei, chorei, chorei, descobri que não estava louca, descobri coisas que não sabia, descobri coisas e gentes esquisitas, conheci as histórias de vida das pessoas, tirei lições pra minha vida.

Não só a vontade de entrar no "clube da Luluzinha", mas também a de registrar esse momento único da minha vida não só em fotos mas também em palavras me motivava com frequência a escrever, porém, só agora me sinto preparada pra falar. Eu achava que eram só os hormônios gravídicos que tinham virado a minha cabeça, mas a chegada da minha filha mudou tudo pra mim. Eu precisei de um tempo para assimilar isso. Ainda estou assimilando. Com certeza não está tudo assimilado. Meu blog trata-se de assimilação. Mentira!

Sério. Cada conceito, cada convicção, cada sensação, cada pretensão foi alterada por ela, mas juro, vou tentar não viajar na teoria do caos e nem filosofar sobre "a nova mulher que desabrochou dentro de mim" por aqui.  A minha intenção é guardar mais do que consigo na memória, fatos e sentimentos que chegaram junto com essa nova vida. O efeito Letícia é, na verdade, tudo que ainda está por vir. E que venha pois agora que sou mãe...( complete a frase com um superpoder).


Avental é sacanagem