Eu não sei se eu quero ter um blog.
Eu achava que era legal, que tinha tudo a ver comigo que gosto tanto de ler e escrever, que seria um registro e um momento de reflexão dessa fase tão especial que estou passando com a chegada da Letícia na minha vida. Porém, não estou conseguindo desenvolver os rascunhos que começo.
Seria fácil justificar com a falta de tempo, totalmente compreensível quando se passa o dia sozinha com um bebê, mas não para mim mesma. Está rolando uma trava, um questionamento sobre o quanto estou disposta a mergulhar nisso, até aonde eu vou me expor, pra quem, com quem, como quem. Como eu?
Eu poderia ficar só descrevendo as pequenezas e as lindezas do dia-a-dia da minha princesa, ilustrar com as 5847592 fotos que tiro dela por dia, proclamar a felicidade e a alegria que ela me irradia com lindas e profundas frases feitas de amor. Poderia. Talvez faça. Mas, eu não sou só isso. No momento, não mesmo. Minha cabeça está bombando nível 5 do créu. Revendo muitos conceitos, refletindo e pirando sobre caminhos e decisões. Tudo isso, também, porque comecei a buscar um caminho mais consciente de maternar, olha, até palavra nova no vocabulário!
Eu já fiz um mergulho desses, já mergulhei fundo no meu auto-conhecimento com ajuda de livros, terapia e reflexões para entender melhor meus anseios, minhas atitudes, minhas crenças e valores. Dei uma pirada, óbvio, mas foi a melhor coisa que fiz para mim mesma. Tenho muito mais consciência sobre as minhas escolhas e necessidades do que antigamente quando vivia um dia após o outro deixando a vida me levar.. sorry, Pagodinho, não curto mais essa vibe de leva eu...
Agora que sou mãe (amo essa frase), estou sentindo uma grande necessidade de me aprofundar, de conhecer opções antes de fazer escolhas, ir além da intuição materna e do senso comum. É uma fase de descobertas e eu preciso definir qual o nível de reality show eu quero dar pra ela. Esse é o ponto! Até que ponto vale expor um pensamento que nem concreto está? Sonho com uma troca que não sei se vai rolar. E o desenho de borboleta do meu layout que não consigo terminar?
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Surtos Gravídicos
Uma dia, estava me dirigindo a fila preferencial ostentando uma senhora barriga de 6 meses em um domingo no supermercado cheio (eu fazia questão até quando estava vazio, era meu direito, oras) e dei de cara com 2 jovens e uma periguete com um carrinho cheio na fila preferencial entre um casal com duas crianças e um senhor idoso na fila preferencial. Hummmmmm... Como assim? O supermercado tava cheio, um calor danado e eles, malandros, na fila preferencial que também estava cheia? aff... Pedi ao meu marido que falasse com o segurança pra "avisar" que eles estavam na fila errada, afinal, podia ser um engano. Ledo engano meu. Eles deram de ombros e deixaram o segurança (que tinha cara de bocó, diga-se de passagem) com cara de bocó. Passaram-se alguns minutos e aquele ar de indignação de todos na fila ficou pairando, alguns resmungos aqui e ali e tudo continuou igual. Nossa, eu só pensava: gente, tá errado! Ninguém vai fazer nada? Meu sangue deu uma fervida e quando meu marido percebeu eu tava lá na frente da fila com o dedinho levantado tirando satisfação com os fura-fila. Bláblábla. Problema não resolvido, mas eu e o idoso passamos a frente deles. Eu fiquei lá matutando por que as pessoas não respeitam as "regras" da vida em sociedade e por que todas as outras pessoas que estavam com a mesma sensação não fizeram nada e por que raios eu fiquei tão puta com vontade de voar neles.
Óbvio que precisava justificar meus surtos quando ficava mais calma para entender o que acontecia. Justificava tão bem justificado que acreditava piamente nas teses que bolava. Acredito nessa até hoje: A mulher grávida quer prover um mundo melhor para seu baby e portanto seu tolerômetro para pessoas "eu quero me dar bem e sou sem noção" é gravemente alterado. Agora junta isso com altas doses regulares de hormônios da TPM.
A vontade era banir desse reino, após um bem articulado sermão da montanha, todas as pessoas apressadas que não estavam em sintonia com o conto de fadas que DEVE ser a vida da grávida. Os mal-educados, escrotos e sem noção? Cenas de violência explícita pesadíssimas estilo jogos mortais passavam pela cabeça.
Problemas no trânsito eram pseudoresolvidos com gritos histéricos, xingamentos de gerações e buzinaço. Ai da atendente, vendedora ou caixa de supermercado que não me cumprimentassem sorridentes, quem elas pensam que são? Garçons, então? Eles tinham uma missão importantíssima nesse mundo, uma responsabilidade sem igual: comida. O preço de uma negativa na bagunça que eu sempre fazia misturando os pratos e acompanhamentos do cardápio era muito alto: praga de terçol com proporções de furúnculo!
Mas passou, tá? Juro! Agora sou uma pessoa calma, serena. Outro dia, no restaurante com minha filha de 3 semanas dormindo tranquilamente no carrinho, até sorri para a mãe que não segurou seu filhote hiperativo que meteu o carão no carrinho da minha filha e acordou ela no susto gritando: olha o neném, olha o neném! Grrrrrrrrrr....
Óbvio que precisava justificar meus surtos quando ficava mais calma para entender o que acontecia. Justificava tão bem justificado que acreditava piamente nas teses que bolava. Acredito nessa até hoje: A mulher grávida quer prover um mundo melhor para seu baby e portanto seu tolerômetro para pessoas "eu quero me dar bem e sou sem noção" é gravemente alterado. Agora junta isso com altas doses regulares de hormônios da TPM.
A vontade era banir desse reino, após um bem articulado sermão da montanha, todas as pessoas apressadas que não estavam em sintonia com o conto de fadas que DEVE ser a vida da grávida. Os mal-educados, escrotos e sem noção? Cenas de violência explícita pesadíssimas estilo jogos mortais passavam pela cabeça.
Problemas no trânsito eram pseudoresolvidos com gritos histéricos, xingamentos de gerações e buzinaço. Ai da atendente, vendedora ou caixa de supermercado que não me cumprimentassem sorridentes, quem elas pensam que são? Garçons, então? Eles tinham uma missão importantíssima nesse mundo, uma responsabilidade sem igual: comida. O preço de uma negativa na bagunça que eu sempre fazia misturando os pratos e acompanhamentos do cardápio era muito alto: praga de terçol com proporções de furúnculo!
Mas passou, tá? Juro! Agora sou uma pessoa calma, serena. Outro dia, no restaurante com minha filha de 3 semanas dormindo tranquilamente no carrinho, até sorri para a mãe que não segurou seu filhote hiperativo que meteu o carão no carrinho da minha filha e acordou ela no susto gritando: olha o neném, olha o neném! Grrrrrrrrrr....
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